Auditoria especial investiga obras de reurbanização da orla de Camburi

Sete anos após ter anunciado, em matéria publicada em A GAZETA, que investigaria supostas irregularidades na obra de reurbanização da orla da Praia de Camburi, em Vitória, feita pela administração do prefeito João Coser (PT), o Ministério Público Estadual (MPES) requereu nesta quinta-feira (10), ao Tribunal de Contas do Estado (TC-ES), auditoria especial no processo.

Iniciadas na administração de Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), as obras chegaram a ser suspensas no início da primeira administração de Coser, que as retomou só após contratação de outro projeto, que teria custado 48% mais caro do que o anterior.

Sem avanço

De acordo com o Ministério Público Estadual, a investigação, prometida em 2005, não avançou antes porque faltou estrutura técnica à promotoria.

A Secretaria de Desenvolvimento da Cidade da prefeitura chegou a informar, na época, que os projetos viário e arquitetônico de Camburi custaram R$ 296.375,00.

A prefeitura informou, naquela ocasião, que a empresa Planal Engenharia recebeu R$ 242 mil pelos projetos-executivos da parte viária, da sinalização e da iluminação; e a Heraldo Ferreira Borges fez o projeto arquitetônico das edificações – entre as quais, calçadão e quiosques –, o que custou R$ 54.375,00.

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Já o projeto de urbanização da mesma orla, realizado pela administração anterior, do prefeito Luiz Paulo Velloso Lucas, segundo um dos seus autores, o arquiteto Antônio Chalhub – e que teria incluído também uma passagem de nível entre as avenidas Dante Michelini e Adalberto Simão Nader –, teria custado aos cofres municipais, na época, R$ 200 mil.

Ainda em 2005, o argumento utilizado para contratação do novo projeto pela prefeitura, era de que não havia projeto-executivo da obra, da qual a administração anterior só fez uma etapa.

Concepção nova

Mas, posteriormente, o secretário de Desenvolvimento da Cidade, Kléber Frizzera disse que O projeto novo tinha outra concepção, e foi feito para uma cidade com outro perfil, outras demandas. Ele citou mudanças no trevo das avenidas Adalberto Simão Nader e Dante Micheline.

As obras de reurbanização da orla de Camburi se arrastaram por três anos, e sem a execução dos quiosques, elas custaram R$ 39 milhões.

Agora, o Ministério Público também quer saber se o piso do calçadão da orla reurbanizada por Coser, que apresentou várias rachaduras e, por isso, teve que ser restaurado, tem qualidade.

Por meio de nota, a Prefeitura de Vitória informou que não havia sido notificada oficialmente pelo Tribunal de Contas, e que tão logo receba a notificação, irá disponibilizar os processos e documentos referentes às obras de urbanização do calçadão de Camburi.