Audiência Pública: Mantenópolis cobra ações de segurança mais efetivas

754A Câmara de Vereadores de Mantenópolis recebeu, na noite de quarta-feira (1º), audiência pública da Comissão de Segurança Pública para debater a criminalidade no município e propor alternativas para a redução dos índices de violência. Entre as soluções apontadas estiveram mais investimentos em projetos sociais, reforço do quantitativo de policiais, a criação de um Conselho de Segurança e a formação de um Gabinete de Gestão Integrada (GGI).

O padre José Martins Ferreira citou dois motivos que facilitam a entrada dos jovens no mundo do crime: uma família desestruturada e a fraca espiritualidade. “Muitos entraram porque viam seus pais brigando com as mães e buscavam na droga uma saída. Também precisamos desenvolver um ambiente espiritual dentro das escolas, talvez estejamos valorizando demais a ciência e esquecendo a dimensão espiritual, ela precisa ser bem trabalhada”, ressaltou.

Elizabete Ferreira Brandão, que mora há 40 anos na cidade, relatou que teve sua casa invadida cinco vezes. ”A última vez foi na véspera das eleições. Meu marido tinha uma loja de informática que foi roubada duas vezes em uma semana. Daqui a pouco vamos ter de mudar de Mantenópolis, precisamos que seja feito algo urgentemente”, apelou.

Cortes na Gasolina

Vice-presidente da Câmara, o vereador José Prata (PMDB), morador do distrito de São José, lembrou que o município recebe muita gente de fora na época da colheita de café, o que pode aumentar as taxas de violência. Ele elogiou o trabalho do tenente Romildo, mas questionou a limitação da cota de combustível para os policiais militares. “Nas últimas duas semanas tivemos uma melhora porque uns oito elementos foram tirados de circulação por ele. Porém, tem uma dificuldade de circulação por causa de gasolina, se ele fizer viagem pelos três distritos ela acaba.

A gente já se colocou a disposição para ajudar, mas eles não podem aceitar. Gostaria de que isso fosse levado ao governador”, solicitou.

O tenente Romildo, responsável pelo policiamento na região, informou que trabalhava com 23 policiais e que o município tinha aproximadamente 15 mil habitantes. Ele ressaltou os números de prisões e recuperações de veículos roubados ou furtados nos últimos dois meses e que a maior parte dos crimes tinha ligação com o consumo de drogas.

“Em 60 dias prendemos 60 pessoas. Uma por dia. Também tivemos nove veículos furtados ou roubados e conseguimos recuperar oito. Mais de 90% de todos os crimes, sobretudo os contra o patrimônio, estão associados ao uso de drogas. Quem usa droga não precisa de polícia, precisa de recuperação”, frisou.

Alessandro Darós, representante da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), comunicou que houve queda de 50% dos homicídios no primeiro semestre deste ano em relação ao anterior. Ele pediu a contribuição da população para denunciar delitos ligando para o 181, número do Disque-Denúncia.

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“O 181 não identifica as pessoas, quando você liga cai numa central  em que policiais trabalham e o serviço vem sendo pouco acessado pelos moradores da região. Sem denúncia a gente não sabe onde está acontecendo o delito. Precisamos que tenha o Conselho de Segurança, que é o local de participação popular, ele tem um peso enorme”, salientou.

Projeto social

O promotor de Justiça Izaias Antônio de Souza afirmou que a cidade nunca teve um Conselho de Segurança, mas que uma ONG da qual participava tratava do assunto no passado. Ele também cobrou ações mais concretas do governo municipal.

“Fala-se muito em delinquência infanto-juvenil, mas de quem é a responsabilidade das medidas socioeducativas? O município não faz sua parte. Temos o projeto ‘Vida Feliz’ que levou quase dois anos para voltar a funcionar. Os municípios precisam assumir o poder-dever de polícia administrativa, é preciso regular por pelo menos um tempo o horário de funcionamento de estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas, é neles que ocorrem as atividades de tráfico”, apontou.

O prefeito Maurício Santos (PSB) disse que os últimos crimes ocorridos levavam a uma sensação de aumento da violência e alegou falta de recursos para implementar medidas mais efetivas. “O Governo Federal cria as leis e passa o dever para os municípios, mas a União fica com 70% da arrecadação, é preciso dividir com os municípios. O ‘Vida Feliz’ ficou parado quando o ex-prefeito foi afastado, mas hoje ele está funcionando. O custeio do projeto é 100% do município, assim como a estrutura da Polícia Civil e da Defensoria. Vamos ter agora um delegado pra atuar apenas na cidade e criar o Gabinete de Gestão Integrada (GGI), reunindo os entes da sociedade”, garantiu.

Deliberações 

Acompanharam a audiência pública os deputados estaduais Almir Vieira (PRP), Padre Honório (PT) e Euclério Sampaio (PDT), presidente do colegiado. Ao final do encontro, o pedetista fez um apanhado dos pedidos e das novidades apresentadas e assegurou que iria levar as demandas ao Governo do Estado. “A partir de amanhã (02/07) a cidade vai ter um delegado próprio. O prefeito vai se reunir com o Alessandro para criar o GGI. Vou requerer aumento da cota de gasolina, o deslocamento para cá de alguns novos policiais que vão se formar e também câmeras de videomonitoramento”, prometeu.

Mantenópolis

Fundado em 7 de janeiro de 1954, Mantenópolis, localiza-se na Região Noroeste, a 251 km de Vitória. O município conta com três distritos: São Geraldo, São José e Santa Luzia. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mantenópolis possui área total de 320,750 km² e possui população estimada em 14.966 habitantes para 2014.

Turismo

Conhecido como “Cidade da Paz”, Mantenópolis vem se transformando também na cidade do “voo livre”. O município tem parte de sua área coberta por remanescentes da Mata Atlântica e esses locais vêm sendo utilizados por praticantes da Associação de Voo Livre de Pancas para suas atividades, tendo atraído, inclusive, pilotos da França.