Acusação insiste na culpa do médico de Michael Jackson

o promotor David Walgren insistiu na culpa do médico Conrad Murray, a quem o cantor “confiou erroneamente sua vida”

O julgamento pela morte de Michael Jackson começou nesta terça-feira (27) em Los Angeles com o argumento inicial da acusação, que insistiu na culpa do médico Conrad Murray, a quem o cantor “confiou erroneamente sua vida” de acordo com o promotor David Walgren.

Murray, de 58 anos, era o médico pessoal do artista no momento de sua morte por uma intoxicação aguda do anestésico hospitalar propofol e foi acusado de homicídio culposo.

O médico, que se declarou inocente, pode receber uma pena de no máximo quatro anos de prisão de receber um veredito desfavorável.

Em sua fala, Walgren rotulou a atuação de Murray como “flagrante negligência”.

“As evidências mostrarão que Michael Jackson confiou nas capacidades médicas de Conrad Murray e que isso lhe custou a vida”, afirmou.

Um dos momentos mais dramáticos da primeira sessão do julgamento foi quando o promotor mostrou ao tribunal uma gravação da voz de Jackson feita por Murray, na qual o cantor se expressava com dificuldade, supostamente sob os efeitos de alguma substância, e falava sobre seus planos para o futuro.

Murray escutou sério o relato da acusação, que insistiu que o médico forneceu ao artista o coquetel de remédios determinado pela autópsia como a causa de sua morte.

A família de Michael Jackson compareceu em peso à primeira sessão do julgamento, com Katherine e Joe, os pais do artista, acompanhados por Janet, La Toya, Jermaine, Tito, Randy e a irmã mais velha Rebbie.

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“Este é claramente um julgamento por assassinato”, comentou La Toya em seu perfil do Twitter antes do início da sessão. “Simplesmente queremos justiça”, declarou.

Os arredores do tribunal estavam desde cedo cercados por veículos da imprensa e por dois grupos de pessoas: os admiradores do “rei do pop” e os amigos de Conrad Murray.

“Supostamente os médicos devem curar, não matar”, dizia um dos cartazes exibidos na frente do terminal. Outro cartaz dizia “Murray cobrou seu dinheiro, e então cobrou sua vida”. Enquanto isso, os seguidores do médico insistiam em que é ele é um homem inocente e deve ser liberado.

“Conrad Murray, acredito em você, estou do seu lado, te amo”, dizia outro cartaz.

“Acho será uma grande injustiça, tinha um médico para cuidar dele e o que fez foram coisas ilegais que acabaram por matá-lo. No máximo terá quatro anos na prisão, mesma pena que é aplicada a um menino que rouba um colar de US$ 2 mil”, disse à agência Efe Beatriz Morán, uma das admiradoras do artista presentes no julgamento.

Já o amigo pessoal de Murray Willy Hampton apostou em “um julgamento justo que inocente o médico”.

“Apoio Murrey porque é meu amigo há anos. Sei que adorava Michael e que Michael sentia o mesmo por ele. Michael tinha problemas, chamou Murray e ele respondeu para garantir a turnê. Quem dera não tivesse feito porque isto é uma fraude”, disse Hampton à Efe.

O tribunal, presidido pelo magistrado Michael Pastor, se encontra no nono andar dos tribunais da Corte Superior de Los Angeles, o mesmo andar onde aconteceram os julgamentos contra O.J. Simpson e o produtor musical Phil Spector.

Michael Jackson tinha 50 anos quando morreu, em 25 de junho de 2009, vítima de uma overdose de remédios quando estava finalizando os ensaios para seu retorno aos palcos com uma série de 50 shows que iria realizar a partir de julho de 2009 em Londres.

O rei do pop tinha pedido a Murray que fosse seu médico pessoal nessa turnê, embora a Promotoria tenha dito nesta terça-feira que nem o artista nem o médico chegaram a assinar um contrato.

A previsão é de que o julgamento se prolongue por pelo menos cinco semanas.