Acaba verba para pagar por arma apreendida

Há seis meses, as apreensões de armas de fogo, acessórios e munição feitas por policiais no exercício de suas funções não vêm sendo remuneradas pelo governo do Estado, por absoluta falta de dinheiro. A verba de R$ 500 mil acabou em junho – mês em que foram feitos os últimos pagamentos, segundo admite o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ronalt Willian.

O pagamento do bônus é um incentivo à atuação policial e, segundo explica o próprio coronel Willian, repercute de forma positiva no desarmamento da população. E é ele quem lembra que o desarmamento tem relação direta com o combate a homicídios e roubos, trabalho que vem sendo intensificado pelo governo.

Insatisfação

Diretor da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar, Flávio Gava diz que o atraso nos pagamentos tem gerado muita insatisfação na tropa. “Uma ferramenta de incentivo tão moderna não pode cair em descrédito”, critica ele, ressaltando que, por enquanto, os militares mantêm a confiança de que o governo honre com o pagamento do que lhes é devido, medida, que, segundo garante o coronel Willian, será colocada em prática.

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O coronel explica que o governo deve baixar um novo decreto para alterar o valor previsto para os pagamentos, em 2013, e suplementar financeiramente a verba para pagar policiais pelas apreensões realizadas entre julho e dezembro deste ano.

Mas ele e a assessoria da Secretaria de Segurança Pública não souberam informar qual é o montante até agora devido pelo governo aos policiais.

Em dobro

Segundo Flávio Gava, a lei permite que o governo promova a suplementação da verba sem autorização legislativa. Para ele, o atraso nos pagamentos reflete “falta de organização”.

Gava lembra que há previsão de pagamento em dobro para os casos em que um policial, além de apreender arma ou munição, prenda a pessoa que portava o material, numa mesma diligência.

Ele cita um caso registrado em junho deste ano, na Serra, onde militares apreenderam 124 munições de uso restrito, um fuzil e quatro carregadores duplos. Como também foram feitas prisões nesse dia, de pessoas envolvidas com o crime, a remuneração prevista, segundo Gava, é de R$ 3.939,52.

Ainda de acordo com o que prevê a legislação, como dois militares participaram da operação, o valor desse bônus será dividido por dois.

Para o coronel Ronalt Willian, o aumento do número de apreensões causou o fim da verba na metade do ano. “O incentivo aumenta o interesse do policial, mas a Polícia Militar sempre fez seu trabalho com muito empenho”, diz o comandante.