A situação é muito grave”, diz advogado da Maranata

“A situação é grave, muito grave”. A avaliação foi feita por Sérgio Carlos de Souza, advogado da Igreja Cristã Maranata – onde também atua como pastor – ao se referir ao esquema de corrupção montado na cúpula da instituição. Ao mesmo tempo, se diz tranquilo por ter a certeza de que todas as providências estão sendo adotadas para preservar a igreja e ressarcir os prejuízos ocasionados pelo desvio.

Um esquema de corrupção para desviar recursos provenientes do recolhimento do dízimo revelado pela Rádio CBN Vitória e jornal A Gazeta foi montado na cúpula da Igreja Cristã Maranata, com o envolvimento de pastores, diáconos e até fornecedores. A ação, identificada em uma investigação da própria instituição, foi parar na Justiça. Nela, aparece o nome do vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos. Estimativas iniciais da igreja indicam que o rombo é de, no mínimo, R$ 21 milhões.

Souza relatou que, em setembro passado, a igreja recebeu denúncias de que irregularidades estavam sendo cometidas na administração do Presbitério, em Vila Velha. “Imediatamente, por ordem do presidente, Gedelti Gueiros, foi criada uma comissão para investigar as denúncias”.

Afastamento
Foi essa comissão que identificou que, no mínimo, estava ocorrendo uma gestão muito ruim das finanças da Maranata, relata o advogado. Foi a mesma equipe que sugeriu o afastamento de três pastores – um deles o vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos – e do diácono que também ocupava a função de contador da igreja, Leonardo Meirelles de Alvarenga.

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Após ouvir empresários que prestavam serviços para o Presbitério, pastores e até funcionários, a comissão de investigação apontou a necessidade da contratação de uma auditoria externa. “Somente parte do trabalho foi concluída”, acrescenta Sérgio.

Com base nesse relatório preliminar, a igreja protocolou na Justiça uma ação pedindo o ressarcimento de danos, no valor de R$ 2,1 milhões. O advogado adiantou que, surgindo novas provas, a instituição não se furtará em adotar novas medidas judiciais.

Além das funções administrativas, Antônio Ângelo e Leonardo também foram afastados definitivamente das funções que exerciam na igreja como pastor e diácono, respectivamente. “Eles podem frequentar os cultos por serem cerimônias públicas”, explicou o advogado da igreja.

Isenção

Sérgio garante que o presidente da Maranata, Gedelti Gueiros, não teve nenhum envolvimento com o esquema de corrupção. E mais:  ele só tomou conhecimento da situação ao receber as denúncias. “O presidente cuida exclusivamente da orientação doutrinária e da parte espiritual. Existem pessoas para cuidar dos outros setores”, afirmou.

O advogado disse, ainda, que todos os fiéis foram comunicados das medidas que estão sendo adotadas por intermédio de uma circular divulgada nas igrejas.

A igreja garante ainda que desconhece qualquer irregularidade na compra dos equipamentos destinados ao sistema de videoconferência. “Novena e cinco por cento do material foi comprado no Brasil. Só equipamentos dos estúdios foram trazidos do exterior”, pontuou Sérgio. Ele acrescenta que a direção da Maranata solicitou à Receita Federal e ao Ministério Público Estadual que investigassem todas as denúncias.

Acusados

O vice-presidente Antônio Ângelo e o contador Leonardo foram procurados pela Rádio CBN Vitória e pelo jornal A GAZETA e decidiram não falar sobre o assunto. Leonardo disse, em nota, que só vai se manifestar na Justiça. Já Antônio Ângelo afirma que quem tem que responder por ele é a igreja e não quis informar o nome do seu advogado.

por: Letícia Cardoso
lcardoso@redegazeta.com.br

Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br